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Quando a estratégia de marca é a paixão – Falando de mim

Escrito por Marco Piquini.

A história de vida do publicitário Fred Rocha dá um livro de aventuras. Nascido em Montes Claros, começou a vida como sacoleiro, para ajudar a mãe. Depois, trabalhou com a família em uma loja de máquinas de costura. Quando passou da adolescência, se mandou para Ribeirão Preto (SP), onde virou ambulante, vendendo morim para banners e, assim, ganhando um troco para sobreviver enquanto a família custeava a mensalidade da Faculdade de Comunicação. Ainda estudante, montou uma produtora de vídeo. Depois de formado, arrumou seu primeiro emprego formal: gerente de marketing da Passaredo! Não durou três meses. Foi demitido. “Diziam que eu viajava demais.”, explica ele. E por “viajar” entenda-se: sonhava alto. “Eu queria colocar avião no saguão de shopping”, lembra ele.

Seu TCC foi sobre comércio pela internet. Julgamento dos professores: “Isso não vai funcionar.” Era 1999 e ele não tinha nenhuma dúvida: depois de trabalhar como gerente de um provedor web, criou (dentro de casa), com a ajuda de um investidor, uma plataforma de vendas on line que deu certo e cresceu (e existe até hoje). Mas Fred Rocha é por natureza um cara inquieto. Em 2004, mesmo com mulher e um filho recém-nascido, largou tudo e retornou para BH para… ser ambulante! De novo! Decidiu vender chope em cima de uma camionete S-10, numa versão pioneiríssima dos “food-trucks” que são moda hoje. Mas pouco tempo depois, mudou de novo: abriu sua própria agência de publicidade.

“F-Criativos” unia duas paixões do sujeito: marketing e varejo. Atendia redes varejistas como Port e CNR, entre outras. “Crescemos rapidamente e no auge chegamos a 30 pessoas”, rememora. De brincadeira, começou a dar umas “palestrinhas” sobre comércio e sobre como atender a clientes. Dava consultorias para comerciantes também. Os anos passaram, a concorrência aumentou, e ele descobriu duas coisas. A primeira: “Estava fazendo consultoria para pagar os custos da agencia.” Segunda: “O varejo é o meu barato e dar palestras me enche de alegria e paixão”.

Mais uma mudança à vista. Em maio de 2014 ele decidiu dedicar-se exclusivamente às palestras. Criou o “Varejo Show” com um grupo de amigos (João Kepler, Renato de Castro, Fred Alecrim e Caio Camargo) e, literalmente, caiu na estrada. O negócio bombou. No formato de seminário, eles falam sobre varejo, inovação, globalização, organização de loja e atendimento. Farão cerca de 25 seminários este ano, por todo o país. Mas Fred Rocha não é de perder negócio. “A agenda tá cheia mas a gente sempre acha um buraco”, avisa. Quando não viajam de avião, eles vão de van, “como uma banda de rock”, compara Fred. E ele ainda faz palestras avulsas, um monte delas (previsão de 70 este ano).

Em entrevista por telefone, enquanto percorria o interior do Paraná, Fred Rocha resumiu sua ideologia da seguinte forma: “O segredo do sucesso é fazer o que se gosta com paixão, com propósito”. E no varejo, ensina ele, o consumidor é o rei e muito mais. “O negócio é entender o consumidor, respeitar a necessidade da pessoa que entrou na sua loja, procurar resolver o problema dele”, ensina. “Temos de esquecer o dinheiro, porque o dinheiro chega no final, nunca no começo”.

Ele se baseia em sua experiência nas ruas e em seus negócios. E estuda muito, inclusive viajando ao exterior para entender novidades e tendências do varejo. Mas indica que não tira onda com isso. “Estou focado em coisas que funcionam no dia-a-dia, em coisas com que os comerciantes entendem, e que posso transmitir com linguagem simples, mas com paixão”. Para ele, não existe saída fácil, o varejo exige trabalho. E ele recomenda algo simples: “Faça o básico bem-feito”.

Varejo Show atraiu a atenção do Sebrae (“Uma instituição de valor impressionante”, elogia Fred Rocha). E o show foi incluído na programação do movimento “Compre do Pequeno”, em favor das pequenas lojas familiares e dos comerciantes de bairro. E as viagens aumentaram de volume – e de amplidão territorial. Antes de chegar ao Paraná, Fred e a turma estavam no Pará. E o próximo estado a ser visitado é o Mato Grosso. Ele está feliz como pinto no lixo. Para quem gosta do que faz, o trabalho é lazer.

(PS – Depois de me contar esta história toda, Fred Rocha me ligou para lembrar que ele ainda foi proprietário de uma escola de voo livre e formou mais de 150 alunos. Foi inclusive campeão minero de paraglider. É mole?).

 

Publicado originalmente em 26 de Setembro de 2015

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